Softwares: Obsolescência e Vulnerabilidades---------------------------------------------------------------------------- Softwares: Obsolescência e Vulnerabilidades Ademar de Souza Reis Jr. <ademar@conectiva.com.br> http://www.ademar.org ---------------------------------------------------------------------------- Texto originalmente publicado na revista Tema, Ano XXVII, Número 163, página 53, Set/Out 2002 - http://www.serpro.gov.br/ Todo software um dia se torna obsoleto. Após um determinado tempo ou número de versões, o software é abandonado, ou seja, deixa de ser suportado. Até a chegada desse dia, cabe a seu distribudor, fabricante ou autor, manter fazer sua manutenção, principalmente no que diz respeito à segurança, de modo a manter seu funcionamento satisfatório. O custo dessa manutenção, em geral, é alto e tende a aumentar com o tempo, o que leva a definição de uma "política de manutenção", que define como e quando correções e atualizações serão lançadas e por quanto tempo determinadas versões serão suportadas. Softwares cuja licença seja fechada (softwares comerciais em geral, onde o código fonte não é disponibilizado e a redistribuição não permitida) apresentam, de um modo geral, um tempo de vida maior, com uma menor quantidade de novas versões e um suporte mais longo. Já softwares de licença livre (softwares cujo código fonte é disponibilizado e a redistribuição garantida - como os disponibilizados sob a licença GPL) sofrem atualizações em períodos menores e acabam tendo um suporte menos duradouro por parte dos desenvolvedores oficiais em relação às versões antigas. A principal razão dessa diferença reside no fato de que nos softwares livres não há custo diretamente associado à atualização para novas versões, enquanto que nos softwares fechados, essas são lançadas como novos produtos e comercializados. No modelo de software fechado o usuários precisa impreterivelmente estar utilizando uma versão suportada pelo fornecedor se quiser receber atualizações para as vulnerabilidades que eventualmente venham a aparecer. Isso significa adquirir regularmente novas versões do sistema e nunca estar livre de gastos.. Quanto mais atrasado o usuário estiver em relação às últimas versões, mais cara sairá uma atualização (que pode exigir novo hardware, treinamento e outras adaptações). Com o surgimento de uma vulnerabilidade o usuário de um software obsoleto precisa escolher entre permanecer com um software inseguro ou gaster uma considerável quantia com a atualização. Com a utilização de softwares livres, as atualizações, em termo de custo de licenças, são gratuitas. Em cenário onde uma vulnerabilidade é encontrada em uma versão já não suportada, basta o usuário fazer a atualização para uma das últimas versões que estará seguro. Uma boa e consolidada política de manutenção de sistemas computacionais é "evitar alterar aquilo que está funcionando". Se determinada versão de um programa está suprindo as necessidades do usuário, por quê instalar a última versão disponível? Esse cenário é extremamente comum em grandes corporações e é onde pode-se notar mais uma grande vantagem do software livre: uma vez que o código fonte está disponível, usuários nesta situação podem simplesmente fazer as alterações por conta própria, conseguir ajuda junto à comunidade desenvolvedora ou mesmo contratar um serviço terceirizado para a manutenção do sistema. Já o softwares fechados torna-se esquecido, sem suporte, sem atualizações e, inevitavelmente, com problemas de segurança.
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